Marramaque atacou os versos, saltitando na sala:
Se às vezes contigo esbarro
e grito, esperneio e berro,
que me traz de há muito zarro
a paixão que aqui encerro,
Tu foges. E a ti me agarro,
cismando: (e nisto não erro)
Se eu tenho uma alma de barro,
tu mostras que a tens de ferro.
E se nada mais espirro
é porquem, então, se não corro,
a coisa já cheira a esturro.
Retirado do livro Clara dos Anjos de Lima Barreto.
O preconceito racial que Lima Barreto conheceu por experiência própria é o tema deste romance, concluído pouco antes da sua morte, em 1922, e publicado em 1948. Nele, através de uma história de sedução, o escritor faz um retrato objetivo da cidade do Rio de Janeiro, revelando as precárias condições de vida de sua população pobre.
Romance póstumo, cuja escritura levou mais de uma década, Clara dos Anjos focaliza a hipocrisia de nossa sociedade.
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