15/09/2010

A pessoa "real"

Na sociedade de hoje, temos dado grande ênfase a autenticidade. Falo de colocar máscaras sobre a face do nosso “verdadeiro” eu e de representar papéis que disfarçam nossa pessoa real. A implicação disso é que, em algum lugar, dentro de você e dentro de mim, está escondido o nosso eu real.
Supostamente, esse eu é uma realidade estática e estruturada e há momentos em que me sinto compelida a camuflá-lo.
Talvez haja alguma justificativa para essa maneira de falar, mas acredito que isso pode ser mais enganoso do que benéfico. Não há uma pessoa real, verdadeira e fixa dentro de mim ou de você. Ser uma pessoa é o que penso, julgo, sinto, valorizo, honro, estimo, amo, detesto, temo, desejo, espero, acredito e me comprometo.
Essas são as coisas que definem a minha pessoa, e que está em processo de mudança permanente, todas as coisas que me definem estão sempre mudando.
Se você me conheceu ontem, por favor, não pense que sou a mesma pessoa que você encontra hoje.
Experimentei mais da vida, encontrei novos sentimentos naqueles a quem amo, sofri, e estou diferente.
Aproxime-se de mim, então, com um senso de descoberta, estude minha face, minhas mãos, minha voz, meu perfume, e procure pelos sinais de mudança, pois é certo que mudei. Mas, mesmo que você reconheça isso, posso estar um pouco temerosa de lhe dizer quem sou.



Disse então o Senhor Deus: “não é bom que o homem esteja só...”
                                                                              (Gênesis 2:18)